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Como o crescimento do trabalho remoto vai mudar as zonas rurais

O crescimento do trabalho remoto vai mudar para sempre o equilíbrio populacional entre as cidades e as zonas rurais. Mais pessoas irão decidir morar no interior priorizando a qualidade de vida em detrimento da proximidade do escritório. As aldeias e vilas vão renascer com uma nova geração que quer viver em comunidade, ter filhos a brincar na terra e viver mais felizes junto da natureza.

Atualmente a maioria das pessoas que se move das zonas rurais para as cidades fazem-no devido à necessidade de encontrar emprego. A maioria dos empregos concentram-se nas grandes cidades, atraindo mais pessoas, mais trânsito, preços mais altos e mais empresas. É uma tendência que as zonas rurais nunca conseguiram combater apesar de todos os esforços do estado baseados em fundos comunitários e em turismo rural.

No entanto o crescimento do trabalho remoto por todo o mundo está a permitir a cada vez mais pessoas escolherem onde querem viver. Nos Estados Unidos, pioneiros neste movimento, 50% de todos os empregados trabalharam remotamente, de alguma forma, no passado ano. E 70% dos trabalhadores com menos de 40 anos diz preferir trabalhar remotamente a auferir um salário mais alto e muitas pessoas recusam terminantemente qualquer trabalho que não possa ser feito dessa forma.

Esta nova realidade traz muitos benefícios para as empresas, desde a redução de custos com escritórios no centro das cidades à atração e seleção do melhor talento disponível a nível nacional ou mundial uma vez que não terão de se cingir aos 30km ao redor do seu escritório.

Além disso, mais empresas serão criadas e geridas remotamente com a sua equipa distribuída pelo mundo, como já acontece em empresas como a Buffer, Github e a minha Remote-how. Estas empresas não têm um escritório, toda a equipa (centenas de pessoas) encontram-se distribuídas por todo o mundo, tendo liberdade total para escolher onde vivem.

Tendo liberdade de escolha, uma pessoa/família irá procurar o local que ache melhor para viver, desenvolver família com qualidade de vida, sem o stress e perigo das cidades, na natureza, junto de comunidades unidas que se irão apoiar e ajudar a desenvolver o local onde vivem.

Caberá então às aldeias, vilas e pequenas cidades organizarem-se e tornarem-se atrativas para estes millennials à procura de um bom sítio para viver. Existem fatores essenciais que terão de ser uma aposta forte tais como o acesso a uma internet rápida, vida cultural e espaços preparados para pessoas trabalharem (centros de negócios/espaços de coworking).

A Irlanda está a desenvolver um projeto muito interessante de “smart villages” onde ajudam vilas e aldeias que cumprem determinados critérios a desenvolver a sua rede de internet, abrir espaços de Coworking e atrair pessoas para se fixarem na comunidade. Como resultado já existem mais de 25000 trabalhadores remotos a tempo inteiro, espalhados por todo o país onde antes quase toda a força de trabalho se concentrava em Dublin.

O projeto é maravilhoso e um excelente exemplo do que vai acontecer no futuro noutros países que apostem no trabalho remoto. Itália está a posicionar-se para ser o próximo país a investir no seu interior para atrair trabalhares remotos. Quando irá Portugal preparar-se para esta realidade?

Os bons exemplos existem, as empresas nacionais estão a começar a contratar remotamente e muitas vão começar este ano a fazê-lo, as localidades que se adaptarem mais depressa e oferecerem melhores condições de vida vão vencer na atração dos primeiros trabalhadores remotos portugueses.

Por Gonçalo Hall
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